Serna Moisés De La Juan - O Mistério Do Lago
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É justamente nesses locais que costumamos encontrar spas, tão recomendados para idosos ou para tratar certas doenças reumáticas e até asmáticas, com o objetivo de aproveitar essas propriedades especiais da água, tornando-se uma referência e um dos maiores atrativos da região.
Uma cidade que esteja perto de um lugar assim pode ser considerada abençoada, uma vez que, em torno desses spas, que são lugares projetados para se recuperar a saúde ou simplesmente descansar e relaxar, todos os tipos de negócios surgem para atender a qualquer necessidade ou capricho que o cliente possa ter.
Mas, neste caso, não há construção alguma perto do lago que pudesse tirar vantagem das águas, nem mesmo um pequeno cais onde os turistas possam se aproximar para contemplar sua extensão, não havia um único barco para servir de meio de transporte de turistas em busca de diversão.
Olhando para todos os lados, percebi que a pequena cidade de no máximo vinte casas parecia um pouco negligenciada, diria até que abandonada, com paredes e tetos um tanto lascados, com sinais óbvios do desapego de seus habitantes. É como se eles não tivessem muito interesse em promover aquela aparência quase idílica que outras aldeias almejam para atrair o turismo de fim de semana ou como no meu caso, turismo de montanha.
Como se não tivessem pressa pelo muito desejado progresso e prosperidade econômica. Um pequeno investimento em reformar as fachadas, pavimentar melhor a rua principal e, assim, tornar a cidade mais atraente, seria muito recompensado com o fluxo maciço de visitantes e, por conseguinte, viriam comerciantes, prestadores de serviços e todos os tipos de classes caça-fortuna dispostos a comprar, alugar e investir para colocar estandes de lembrancinhas, hotéis, bares e restaurantes.
Mas essas pessoas não demonstravam o menor interesse em mudar, viviam como seus pais e avós, desconectados do mundo exterior e, o pior de tudo, sem interesse algum em saber o que estava acontecendo lá fora.
Essa percepção me levou a verificar e descobrir que em nenhum dos picos adjacentes era possível ver uma dessas antenas telefônicas tão controversas, porque, embora ainda não houvesse veredicto científico claro; parecia que eram a causa do aumento de doenças tão sérias quanto o câncer, ainda mais entre a população mais indefesa, como crianças, mulheres grávidas e idosos, que levou vários países a promulgar leis contra essas instalações perto dos centros de estudo e creches.
Também não encontrei nenhuma daquelas antenas de televisão horrendas nos telhados das casas, que são tão feias e danificam bastante a paisagem. É bem comum que ao observar o céu em algumas cidades ou quando se sobe nos telhados, constatar como o horizonte foi literalmente tomado por milhares desses artefatos de metal.
E, para minha surpresa, não havia nem mesmo os postes de iluminação, tão necessários, que se tornaram uma parte indispensável da paisagem nos campos e nas cidades; pela necessidade de que a eletricidade chegue a qualquer casa e, assim, perceba, se cozinhe, lave roupas, etc. Que se realizem as infinitas tarefas que, de outra forma, seriam impossíveis pelo menos em um local civilizado.
Esse aspecto um tanto negligenciado do lugar e a ausência de qualquer indício de modernidade contrastavam com a aparente boa saúde de seu povo, e que até mesmo os mais idosos pareciam ágeis e sem dores, ninguém carregava uma única bengala ou muleta, e olha que o chão era bastante escorregadio, cheio de pedras usadas como paralelepípedos nas ruas, o que seria garantia de pelo menos uma entorse se não se tomasse cuidado.
Mas eles pareciam tão alheios a todas essas ausências, andando de um lugar para outro com tanta tranquilidade que duvido que a maioria precisasse cumprir alguma obrigação, porque com a pouca pressa com que se mudavam, não teriam tempo para cumpri-la.
Aproximando-me de uma das mulheres, vestida com roupas escuras, e que cobria a cabeça com um lenço preto, sentada em uma cadeira de balanço de sua casa, tomando banho de sol em paz, tentei obter mais informações sobre esta aparente falta de interesse das pessoas à beira do lago.
― Bom dia, senhora. Posso fazer algumas perguntas? ― falei com ela sem saber se ela estava acordada, pois seus olhos estreitados não me deixaram adivinhar.
― Minha nossa, uma turista! ― ela exclamou sem demonstrar o menor choque, e sem abrir os olhos.
― Sim, cheguei ontem à noite. ― respondi, como fiz com o morador anterior, um tanto surpresa com a atitude dela.
― O que trouxe você aqui? ― ela me perguntou antes que eu pudesse interrogá-la sobre o lago, e iniciou um movimento repetitivo de balanço que foi acompanhado pelo rangido característico de sua cadeira.
― Gosto de montanhismo, e essa era uma área que eu não conhecia. ― respondi, ainda sem saber onde estava.
― Não me surpreende. ― ponderou ela, colocando a mão na frente do meu rosto para cobrir o sol e me ver melhor, enquanto abria aqueles olhos cinzentos.
― Bem, eu gostaria de saber mais sobre o lago, porque sua cor chamou minha atenção… ― tentei jogar a pergunta de forma rápida.
― Vai ficar por quanto tempo? ― a mulher me interrompeu sem me deixar explicar, fazendo um movimento para se levantar, enquanto parava o balanço lento e silenciava o ruído de sua cadeira de balanço.
― Eu não sei, um ou dois dias. ― respondi meio em dúvida, sem saber muito bem o que traria tanto interesse, já que a outra pessoa com quem conversei fez a mesma pergunta.
― Uma pena! Se tivesse tempo, se pudesse ficar até a próxima lua, então veria como o lago é bonito. ― ela comentou com um sorriso largo, enquanto se recostava e recomeçava o movimento oscilatório.
― Bem, não sei quando será, mas voltando ao assunto, saberia dizer por que o lago é dessa cor? ― perguntei na tentativa de retomar o assunto que me interessava.
― Eu não sei sobre essas coisas, apenas que é assim. ― disse ela, indiferente, enquanto fechava os olhos para continuar seu sono e repouso.
― E você sabe por que a água não é potável? ― eu insisti, lembrando das informações que o morador anterior havia me dado, chateada pela passividade da mulher.
― A única coisa que posso dizer é que é um lugar sem vida e, portanto, não é adequado para uso, por isso preferimos deixá-lo como está. ― concluiu ela, um pouco irritada porque a conversa tornara-se muito longa, e moveu a mão com parcimônia, de um lado para outro, um gesto para que eu fosse embora.
Depois de agradecê-la por suas palavras, me voltei intrigada em direção ao lago, para vê-lo mais de perto, permanecendo pensativa ante aquelas breves palavras escutadas dos habitantes que pareciam não se preocupar em ter um lago tão grande na frente deles e, também, sem poder aproveitá-lo de nenhuma maneira.
Eu já havia lido sobre alguns tipos de águas que não são boas para o consumo porque contêm certos microrganismos ou simplesmente porque possuem altos níveis de substâncias tóxicas para o corpo humano, seja arsênico, enxofre ou qualquer outro elemento nocivo presente nos confins da Terra.
Chegando quase à margem, subi em algumas rochas que podiam servir de assento improvisado, e assim contemplar aquele estranho fenômeno em estado líquido, do qual mal consegui obter algumas palavras dos habitantes locais, não muito mais que ideia repetida de que a água não é boa para consumo.
Fiquei sentada em frente ao lago por algumas horas, admirando a cor que nos impedia de adivinhar o que havia nas profundezas de suas águas, sendo o comprimento a única característica óbvia, pois não havia nada que indicasse um rio ou cachoeira nas proximidades que fornecesse água corrente, mas, ainda assim, algo me surpreendeu, porque mesmo à curta distância em que eu estava, ainda não havia notado nenhum efeito negativo em minha saúde, nem mesmo o mau cheiro que costuma ser tão característico de áreas com substâncias perigosas ou em lagoas e reservatórios com águas estagnadas.
Logo fiquei encantada vendo as nuvens fluírem em um ritmo lento através das fendas das montanhas, ou acima de seus picos, e não pude evitar a comparação com a caminhada dos habitantes daquele lugar que pareciam despreocupados com a passagem do tempo, alheios ao pulso frenético de uma cidade.
Aqueles conglomerados espumantes de água evaporada formavam imagens curiosas, às vezes fáceis de identificar como um animal, e que mudavam ao capricho do ar, refletindo-se como se a superfície negra daquele lago fosse um espelho.
Mas, por mais que eu insistisse, não consegui ver o menor vislumbre de movimento em sua superfície, como se a água daquele lago estivesse imune aos influxos da brisa que, em qualquer outro lago provocaria pequenas ondas, suaves e espumosas, que bateriam contra a margem, mas não havia vestígios da menor perturbação, como se as águas fossem uma substância viscosa e impenetrável, mais parecida com componentes oleosos como o óleo.
Além disso, não havia nada vivo ao redor, nenhuma planta, por menor que fosse, crescendo nas proximidades de lugares úmidos ou líquen nas rochas onde eu estava, ou algas na superfície daquele lago, não se via nada vivo perto de mim.
Isso em relação ao que vi, mas mesmo acostumada às mudanças entre a cidade e o interior onde os sons são mais sutis, não conseguia ouvir o menor ruído naquele lugar que era, sem dúvida, propício para se descansar e relaxar, mas não se ouvia nem sapos nem pássaros.
O que, sem dúvida, me confundiu bastante, porque em locais calmos, por mais baixo que seja o ruído produzido, ele se expande por longas distâncias, enquanto na cidade, às vezes você precisa gritar para que a pessoa ao seu lado entenda suas palavras.
Tanto é assim que, para verificar se, por algum motivo meus ouvidos estavam comprometidos disse o que as crianças com tanta euforia fazem quando veem alguma gruta ou cavidade que possa gerar eco e gritei “Eco” e, depois de alguns instantes… Nada, tentei novamente mas virada para outro lado, desta vez com mais força e… nada.
Bem, pode ser que, por ser um local aberto, eu não tivesse a sonoridade necessária para formar o eco, o que havia ficado claro era que eu escutava bem. Estava segura de que não estava com os ouvidos entupidos nem nada parecido.
Mas, por não ter vida no local, nem mesmo aqueles animais pequenos e inoportunos, que costumam estar prontos para atacar tudo o que se move ou pelo menos incomodar como: moscas, mosquitos e uma série de insetos que vemos em ambientes rurais assim.
E de todas essas inconsistências, isto era o que mais me impressionara, porque em muitos lugares onde há acúmulo de água, se concentra muitos insetos, alguns atraídos pela vida que é gerada ao redor e outros esperando por visitantes desavisados para dar as boas-vindas. Não notei nenhum deles, mas durante todo o tempo em que estive lá, não vi nenhum, por menor que fosse. Tal descoberta me encheu de medo por um instante, tanto que até me fez dar um pulo enquanto eu me perguntava: “E se fosse verdade que a água era tóxica?”, talvez eu tivesse me apressado em me aproximar sem tomar nenhuma precaução, porque embora eu não apresentasse sintomas como asfixia ou tontura, eu não conseguia adivinhar o que causaria a ausência de animais voando na área. Bem, decerto prefiro pensar que as aves haviam migrado e não que morreram todas por envenenamento.
Depois de olhar para todos os lados e verificar se eu estava sozinha e que parecia não haver sinal de perigo, sentei-me na rocha, onde me sentia segura, porque apesar de estar perto da margem era uma distância boa o suficiente para não cair por descuido.
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