Serna Moisés De La Juan - O Mistério Do Lago
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Fiquei surpresa pela saudação, suponho que seja o que deveriam dizer, mas, como já havia tentado sem sucesso, nem sequer havia preparado o que dizer.
— Desculpe, estava testando o aparelho. — respondi hesitante. Não aconteceu nada, desculpe.
Dito isto, desliguei sem dar tempo para que a senhora me dissesse mais alguma coisa, coloquei o telefone no peito e respirei fundo. Fiquei tentada a ligar para um de meus amigos, mas não vi a necessidade de incomodá-los apenas para ouvir a voz de um deles, pois já havia verificado que o celular funcionava bem, sinal forte a e boa comunicação com o mundo exterior.
Depois de trocar de roupa, fui para a cozinha, onde o homem havia me deixado um prato de comida pronto, surpresa com a atitude de ir me buscar para comermos juntos.
— Muito obrigada, mas fiquei com fome enquanto preparava. — disse o homem, recusando meu convite.
Dito isto, ele pegou uma cadeira e saiu de casa para ficar ao lado da porta e, sentando-se sossegado, começou a aproveitar o sol, me deixando sozinha na cozinha para que eu pudesse comer.
Embora o café-da-manhã tivesse sido bastante escasso, a comida de agora parecia desproporcional. Além de outro pedaço do mesmo pão duro, havia o que parecia uma sopa de legumes, embora parecesse água com pedaços quase transparentes de cebola flutuante.
Nada a ver com a multiplicidade de vegetais esmagados, como cenoura, tomate, cebola, pimentão ou couve-flor, que poderiam estar ali para torná-la uma verdadeira sopa juliana e não um caldo simples de cebola. Deveria ser um consomê típico da região ou algo assim.
Então, em vez de uma salada abundante e brilhante, com todos os tipos de vegetais cortados em pedaços grandes, com alface, pimentão, pepino, tomate, cebola, cenoura e salsa, havia apenas uma pequena escarola com azeite
No prato principal, por mais que eu chafurdasse, não havia sinal de nada, nem um bife feito na grelha, nem peixe fresco fumegante e grelhado, ou nem mesmo um ensopado simples com linguiça e bacon.
E ainda por cima, não vi nada para a sobremesa, apesar de gostar de uma fonte colorida de uma variedade de frutas de todas as cores imaginadas, com peras, maçãs, laranjas, tangerinas, bananas, damascos, pêssegos, uvas, melancias, melões, abacates, nêsperas, cerejas, morangos, cerejas, figos… ou qualquer outro fruto selvagem, mas não havia nada.
Acho que o homem também comeu pouco, pois para compensar a escassez, encontrei um punhado de pinhões, como se fossem um pedido de desculpas ou algo parecido.
Acredito que foi por causa da minha chegada imprevista àquela cidade que meu anfitrião se viu obrigado a improvisar e não tivesse alimentos suficientes para me receber, como seria normal em outra hospedagem. Mas, em vez de comprar outra coisa para me oferecer, ele estava sentado pacificamente ao lado da porta, então, temo que ele não tenha muito interesse em resolvê-la, então prevejo um jantar bem ralo à minha espera esta noite.
Embora fosse possível, que esta era a única coisa que comiam nesta cidade, por ser tão alto e com uma terra tão austera e cheia de pedras, talvez fosse difícil para o campo produzir qualquer coisa.
Não seria de esperar que eles pudessem tirar muito proveito daquelas árvores circundantes, além dos pinhões, pois não era lugar propício à árvores frutíferas.
Além disso, estando tão isolados e sem uma estrada adequada, seria muito difícil chegar cargas com regularidade e, portanto, se acostumaram a lidar com a escassez, a fim de sobreviver entre cada distribuição.
Com uma dieta como essa, não me surpreende que os habitantes desta cidade pareçam tão bem de saúde, porque, apesar da idade que aparentam, se movem com bastante agilidade, tanto que podem até competir comigo.
O dono da casa, que apenas alguns minutos atrás havia me deixado na cozinha, me trouxe tão rápido desde a rocha que eu quase pensei que estávamos competindo. Um passo constante e acelerado que me custou para seguir de braços dados com ele. Ele manteve o ritmo durante a caminhada sem mostrar sinais de fadiga.
Algo me incomodava com essa situação, de que a comida rala era me dada de forma intencional para eu não me recuperar e continuar com minha viagem. Poucos alimentos que, apesar de bem preparados, não eram um manjar para os olhos.
Eu era uma daquelas pessoas que, mesmo sem comer demais, precisavam da ingestão de muitos nutrientes diariamente, não poderia faltar frutas e legumes em meu prato, e mesmo assim nunca ganhei peso.
Minha figura, quase estilizada, não era o resultado de uma daquelas dietas que costumam ser seguidas pelas modelos, na qual elas se alimentam de um único alimento, seja uma fruta ou vegetal, apenas ele quantas vezes você desejar por dia, como a dieta de bananas, maçãs ou melões.
A esse respeito, ouvi dizer que, embora aparentemente os resultados desejados possam ser alcançados, pois perdemos rapidamente muitos quilos, a descompensação que ocorre no corpo através da remoção de substâncias necessárias para o bom funcionamento pode levar a problemas, até graves, para a saúde.
Também não sou uma dessas mulheres que passam horas e horas na academia, tentando queimar qualquer indício, por menor que seja, do acúmulo de gordura que poderia ser produzido. Além disso, eu não teria paciência suficiente para realizar exercícios com pesos todos os dias, apesar das mudanças por causa dos grupos musculares trabalhados; nem acredito que seria capaz de cumprir um desses circuitos exaustivos, nos quais a cada cinco minutos você deve passar de um dispositivo para outro, que, se você andar pela esteira pela primeira vez, depois pedalar com a bicicleta, então… exercitar o maior número de músculos do corpo em um único dia; eu não conseguia nem terminar uma só com sucesso, e sem me perder pela metade, uma daquelas sessões de aeróbica ou em qualquer uma das modalidades modernas que surgiram com base no mesmo princípio de realizar numerosos movimentos coordenados no menor tempo possível e tudo frente ao espelho.
Sou simplesmente assim, uma mulher delgada, como toda a minha família, então suponho que tenha muito a ver com a genética. Portanto, manter a linha sempre foi algo que nunca me preocupou em excesso, ao contrário de alguns de meus amigos, que estão sempre discutindo o mesmo tópico, analisando o que podem comer ou não e quantas calorias tem em cada refeição, quais alimentos comer para saber se não vão exceder o máximo permitido por dia.
Também acho que ajuda a me manter em forma o fato de que quase todo fim de semana vou fazer caminhadas nas montanhas e, por qualquer motivo, não me apetece ir tão longe, ou se está chovendo e com mau tempo, faço uma rápida sessão de caminhada na pista coberta do centro esportivo ao lado de minha casa.
Um pouco de exercício sempre me ajuda a me sentir bem comigo mesma e, se puder ser no meio da natureza melhor ainda, é algo que me revitaliza e me enche de energia, expelindo do meu corpo qualquer toxicidade que possa ter acumulado durante meu dia de trabalho.
Mas eu não como fora de hora, nem petisco já que tento trazer algum equilíbrio para a vida, valorizo o que faço e como, guiada por essa máxima nutricional que gosto de lembrar pelo menos uma vez por dia, “mens sana in corpore sano”, cuja tradução seria “mente saudável e corpo saudável”.
Apesar de ter tido provas, em mais de uma ocasião, que eu posso comer qualquer coisa, proteína, carboidratos ou gorduras, pois tudo se queima rapidamente com minhas atividades diárias. E se restava alguma reserva, eu a eliminava nas minhas escapadas de fim de semana, nas quais o corpo consumia tudo o que podia.
Por isso, me acostumei a boa comida, não que fosse muito exigente em termos de variedade de pratos, mas em relação à quantidade, tentando comer pouco, mas tudo.
Para mim, a pior coisa quando se tratava de comer e, portanto, que eu costumava evitar ao máximo eram aquelas saladas cheias de grandes folhas, tão pesadas para digestão e com tão poucos nutrientes.
Então, com tudo à minha frente, fiz coragem e comecei a comer devagar, sabendo que o velho havia preparado com o pouco que deveria ter, então não queria desprezá-lo.
Além disso, como havia feito no café-da-manhã, fui para meu quarto quando terminei tudo e complementei com alguns dos alimentos ricos em minerais que trouxe na mochila.
Desde que descobri uns biscoitos desidratados que os militares costumam consumir nas competições e que são recomendados nos manuais de sobrevivência, nunca me deixei ficar sem eles e os levo comigo aonde quer que eu vá, na mochila quando vou caminhar, na bolsa do trabalho ou no bolso da calça em uma rápida saída para compras.
Para mim, era um tipo de seguro-saúde, porque era uma fonte de energia nos momentos em que eu sentia as forças me escapando por causa do esforço ou, simplesmente, para reunir uma boa quantidade delas durante o descanso.
Eles eram tão importantes para mim que eu sempre trazia muitos, a data de validade era longa e pesavam tão pouco, que eu não precisava calcular tanto a quantidade e correr o risco de ficar sem.
Especialmente porque nas montanhas é comum compartilhar suprimentos com outros viajantes ou alpinistas que se encontra no caminho, que por qualquer motivo perderam ou consumiram todos os seus recursos. Por esse mesmo motivo, sempre carregava o dobro da quantidade de água necessária para a viagem de ida e volta. Dessa maneira, antes mesmo de sair, era possível minimizar os efeitos de qualquer imprevisto que possa surgir, daí o ditado “mulher cautelosa vale por duas”.
Depois que terminei de comer o que podia e com a sensação de estômago pesado, fui para o meu quarto suplementar meus nutrientes com os biscoitos desidratados. Algumas pessoas riam porque parecia comida de cachorro, mas eu preferia compará-los à comida dos astronautas.
Depois de recolher tudo no meu quarto, quis dar um passeio, porque o costume quase religioso de tirar uma sesta após o almoço me parecia quase que perda de tempo, porque o corpo, pelo menos o meu, se recupera da fadiga à noite e não ao meio-dia.
É possível que, em alguns países mais quentes, perto do equador, ou perto de algum deserto, esse costume seja uma espécie de defesa natural para evitar a exposição ao sol nas horas de maior intensidade, mesmo que seja bom para facilitar uma digestão pesada como a que eu estava sofrendo agora; mas não era costume para mim ou minha família, então não o fazia.
Saí com cuidado para não interromper o sono profundo de meu anfitrião improvisado, que dormia pacificamente sentado em uma cadeira ao lado da porta, e olhei para os dois lados da cidade para decidir qual caminho seguiria.
À minha esquerda, o caminho das pedras descia como uma rua, para fora da cidade e seguindo até chegar ao lago grande e preto, uma ideia que eu logo descartei, porque ainda sentia calafrios ao me lembrar dos momentos vividos antes de comer.
Do outro lado, subia a estrada para a parte superior da cidade, que eu ainda não havia explorado, porque, quando cheguei, mal tive que percorrer alguns metros antes de descobrir onde dormiria. Também era um pouco tarde e à luz do sol estava para desaparecer por detrás dos penhascos das montanhas circundantes, então eu preferi me abrigar e descansar para hoje.
Eu não precisei pensar demais para decidir sobre a segunda opção. Sem me despedir do meu anfitrião e tentando não fazer muito barulho ao sair, ele ainda soava aquele cântico inconfundível de inspirações forçadas e sons bufantes, o que denotava alguma paz interior e absoluto desprezo pelos problemas mundanos.
Caminhei com calma pela avenida de paralelepípedos ladeada de casas, sem parar demais para contemplá-las, pois do lado de fora eram todas iguais, então, quem via uma, via todas. Casas de um pavimento com telhado alto e telhas duplas. Telhas comuns a lugares que nevam muito com certa frequência. Evitam o acúmulo dos flocos no telhado e o problema que isso traz por causa do peso.
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